A Opnião religiosa segundo Mencken

20 12 2010

IMUNE

 

A convenção social mais curiosa desta grande época em que vivemos é a de que as opiniões religiões devem ser respeitadas. Os efeitos maléficos desta convenção devem ser evidentes para todos, mas os dois maiores são: a) jogar um véu de santidade sobre idéias que violam qualquer decência intelectual; b) tornar todo teólogo um libertino com imunidades. O resultado disto é a espantosa lerdeza com que as idéias realmente sólidas circulam pelo mundo. No minuto em que uma dessas idéias põe a cabeça para fora, é inevitável que algum teólogo analfabeto cairá sobre ela, tentando destruí-la. A maneira mais eficiente de defendê-la, naturalmente, seria cair sobre o teólogo com uma clava, porque a única defesa que funciona, na polêmica ou na guerra, é uma ofensiva vigorosa. Mas isto seria considerado falta de modos pelas convenções, e assim os teólogos continuam alegremente o seu assalto  à inteligência sem muita resistência, retardando desagradavelmente o conhecimento.

Não há, na realidade, nada sobre opiniões religiosas que as autoriza a mais respeito que quaisquer outras opiniões. Ao contrário, elas tendem a ser ostensivamente cretinas. Se duvida, peça a qualquer devoto de suas relações para pôr por escrito aquilo em que ele realmente acredita, e veja o que será: “Eu, José da Silva, sob juramento, acredito que, ao morrer, me tornarei um vertebrado sem substância, desprovido de peso, altura ou massa, mas conservado todos os poderes intelectuais e sensações corpóreas de um mamífero comum; e que, pelo crime e pecado de ter beijado minha cunhada às escondidas, com má intenção, serei cozido em ácido sulfúrico durante um bilhão de anos”. Outro exemplo “Eu, Maria da Silva, carregando o medo do Inferno, afirmo e declaro solenemente que foi uma atitude certa, justa, legal e decente por parte de Deus, ao ver algumas criancinhas do santuário rindo da careca do Eliseu, mandar vir uma ursa da floresta e instruí-la, incitá-la, induzi-la e comandá-la para estraçalhar 42 delas”. Ou: “Eu, D Fulano de Tal, bispo da paróquia de…, declaro pela minha honra como homem e como religioso acreditar que Jonas engoliu a baleia”, ou vice-versa, se for o caso.

Não, não há nada ostensivamente digno a respeito de idéias religiosas. Só conduzem a uma espécie curiosamente pueril e tediosa de asnices. Na melhor das hipóteses, são compiladas dos metafísicos, ou seja, de homens que devotam suas vidas a provas que duas vezes dois não são sempre ou necessariamente quatro. Na pior das hipóteses, cheira a espiritualismo ou a cartomancia. Nem há qualquer virtude visível nos homens que as comercializam profissionalmente. Poucos teólogos sabem alguma coisa que valha a pena, mesmo sobre teologia, e poucos deles são honestos. Pode-se perdoar um comunista ou um coletor de impostos na suposição de que há algum problema em suas glândulas endócrinas, e receitar-lhe um inverno no Sul da França para curá-lo. Mas o teólogo médio é um sujeito corado, robusto e bem alimentado, sem nenhuma desculpa discernível em patologia. Ele dissemina a sua cantilena, não inocentemente, como um filósofo, mas maliciosamente, como um político. Num mundo bem organizado, ele estaria na enxada. Mas, no mundo em que vivemos, temos de ouvir o que ele diz, não apenas educada e reverentemente, mas babando de boca aberta.

 

Retirado do “Livro dos Insultos“.  O texto é de 1918, o que demonstra o quão contemporâneo é o discurso de Mencken.

 

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O cristianismo 06 – A esperança da vida eterna

29 09 2010

O cristianismo clássico (ou original) prometia a glória ao homem após a sua morte, segundo algumas diretrizes que deveriam ser seguidas para gozar dos benefícios. A negação de Jesus cristo, a afronta a igreja, a heresia, entre outros, se não fossem perdoados pelos sacerdotes implicariam na condenação a danação eterna. A excomungação é um passaporte para o inferno. O medo do inferno é uma arma poderosíssima, como visto anteriormente. Há poder maior do que de um observador onisciente e silencioso?

Nietzsche criticava o cristianismo por seu aspecto de tirar o sentido e propósito da vida terrena. Ela muda o “centro de gravidade” dessa vida para a próxima. Para o cristão essa é apenas transitória, ela é como um “teste”. Sim, pois Deus julgará seus atos e dirá se eles são merecedores do paraíso ou do inferno. E é aí que se manifesta toda a perversidade do cristianismo. Há como negar que é melhor sofrer alguns anos para gozar de um galardão eterno do que padecer uma vida curta e ser enviado a um local de danação eterna? Continue lendo »





O Cristianismo – 05

10 08 2010

Um dos aspectos mais terríveis do cristianismo é sem dúvida o terror infantil. Como o Brasil é um país majoritariamente cristão, desde a mais tenra idade somos apresentados a sua filosofia e sua “verdade”. O grande problema é que nessa fase o nosso senso crítico é nulo e acreditamos em tudo o que nos é dito. Quando criança, nossa imaginação voa e imaginamos o pior. “Papai do Céu” está nos observando, pronto para nos lançar no fogo eterno ao menor deslize.

 

Certa vez minha mãe disse, que considerava a morte por queimaduras a pior existente, a mais dolorosa. Pois bem, imaginar ser queimado por toda a eternidade me enchia de medo. Lembro que certa vez um colega, que freqüentava a igreja, durante uma conversa proferiu a seguinte frase, que nunca mais esqueci e que provavelmente resume bem esse sentimento: “Se temos a possibilidade de irmos para o inferno, seria melhor nem ter nascido”. Há coisa mais terrível para uma criança pensar? Levar a vida imaginado estar participando de um teste de alguém cujo o poder não se pode medir, com medo que o menor deslize te leve direto para a danação eterna é um sensação que deveria ser evitada a todo custo.

 

Essa é uma poderosa ferramenta de coação. Lembro que certa vez tinha saído da igreja mais uma vez, sempre fui dessa idas e vindas. Foi quando um vizinho veio me convidar a voltar a igreja, mas estava reticente, com pouca ou nenhuma vontade de voltar. Ele então me convidou para assistir a um filme, na casa do irmão. O filme era sobre o apocalipse (o qual já tinha lido, mas não entendido nada). Com sujeitos com 666 tatuados, tentando matar cristãos protestantes “deixados para trás”. Pouco me lembro do filme além do fato que a personagem morre decapitada ao não negar a Cristo. Aquilo me deixou aterrorizado, pois já conhecia parte da história. Um medo paralisante me dominou. Ser deixado na terra junto com o diabo e ser vítima de sua “crueldade” (não conseguia ver a incongruência disso) era algo terrível. E não dormi aquela noite, temendo ouvir as trombetas que anunciariam o fim. A sensação de pânico foi terrível e não lembro de ter vivido outra como aquela.

 

Essa doutrinação desde a mais tenra idade é perigosíssima. Aproveitando a máxima que uma imagem vale mais do que mil palavras:

 

 





O Cristianismo – 04

24 07 2010

A já gasta alegoria de Platão define bem o sentimento de qualquer não religioso. Não que já conseguimos ver muita coisa fora da caverna, mas já vimos o bastante para pensarmos em desacorrentar os outros, mas as coisas nunca são dessa maneira. Não há a menor possibilidade da prática de dialética com algum religioso.

Não estou querendo dizer que sou o portador da verdade, já que não sei nem um mol do queria saber.Apenas proponho que cada um reflita sobre suas convicções e o que reconhecem e definem como “verdade”. Em um debate com um cristão muito GERALMENTE não se aprende nada de novo. No máximo uma nova versão para um argumento velho. Design inteligente “você veio de uma explosão” ou do “macaco” são comuns. Não parece estranho para o cristão a terra ter somente 6 mil anos ou seu antepassado ser água com terra.

 

No campo da Filologia e Hermenêutica são “imbatíveis” graças a duas coisas:

A primeira é a velha desculpa da metáfora. Qualquer absurdo indiscutível na bíblia quer na verdade dar um mensagem positiva. A história de uma criança que sofre sete dias antes da morte tendo sido usada por Deus como forma de punição aos pai, vira uma mensagem de que “Deus é amor, mas é fogo consumidor” (Essa frase na verdade é sobre a tortura no inferno, mas serve como exemplo das contradições existentes). Aliás nenhum crente se pergunta qual será a sensação de estar a salvo enquanto a maioria queima no inferno. Alguns, posso até dizer, teriam a maior satisfação de me ver lá, até podem ter pensado nisso enquanto liam esse texto.

 

A segunda é de que nos falta discernimento do espírito santo. Seja lá o que isso significa. Citam até aquele trecho que diz que Deus usa pessoas incapazes de pensar por si mesmo para confundir quem o faz. Como se precisássemos de tamanha sabedoria para entender porque se fala em insetos de quatro patas, chuva caindo de janelas do céu, sol parando de girar ao redor da terra.

 

Esses argumentos são claros de pessoas com preguiça de pensar, com medo da verdade ou fracas de mais para pensarem por si só. Em nenhum momento elas sequer cogitam estar erradas ou enganadas. Há como debater com alguém assim?





O Cristianismo – 03

22 07 2010

Se existe uma coisa que um cristão não faz nunca é ler a bíblia. Sim, estou generalizando, mas uma grande maioria só lê salmo 91 ou apenas sabem João 8:16 de cor e salteado, pra citar de maneira aleatória quando em discussão contra um não crente. São crentes que andam pra cima e pra baixo com a bíblia na mão, falam que é um livro maravilhoso e tudo que se deve saber está lá, mas só abrem pra ler um versículo quando o “pregador” (Há!) pede, para dar aquela chorada e pedir o dízimo.

 

Eu poderia ficar aqui dias digitando cada absurdo da bíblia, homem que oferece as filhas para serem estupradas, mulher que é esquartejada após ser estuprada com o consentimento do marido, mulas que falam, hemorróidas de ouro, mulheres grávidas partidas ao meio, filhos devorados pelos pais, infanticídio de recém nascidos… A lista é imensa. Para mais detalhes acessem o guia bíblico do cético: www.bibliadocetico.net .

 

A bíblia envelheceu mal. Com a atual concepção humanista, Javé é cruel e perverso, mas nada que impeça o crente de rebater isso tudo com uma simples frase: “Isso é o velho testamento”. Eles somente lêem trechos amorosos das parábolas de Jesus, nada de arrancar o olho e odiar os pais diga-se de passagem. E os trechos do velho são escolhidos a dedos para não chatear.

 

Eu acreditava em todos esses absurdos sem questionar um só minuto. Embora histórias como a de Noé soassem estranhas, como todo mundo que vivia ao meu lado não questionava, achava que aquilo tudo era a mais pura e sincera verdade. Até que um dia tive em mãos o livro “O Livro do Juízo Final” da Ordem do Graal na Terra. Tá certo que são os reis da bizarrice, a única coisa que me lembro bem do livro era de que os deficientes mentais na verdade eram espíritos que não tinha mais solução e eram marcados na testa. Apesar do livro ser estranho, ele diz que boa parte da bíblia está errada. Dá novas versões tentando transformar Deus em um sujeito mais “humanista”. O mais importante pra mim foi saber que se podia duvidar e criticar a bíblia, pode parecer besteira, mas esse livro foi bastante libertador pra mim.

 

Desde então comecei a ler a bíblia mais criticamente e meditar sobre aquilo tudo, primeiro acreditei que a bíblia tinha sido modificada pelos homens. Depois percebi que pela minha lógica a REALIDADE teria de ser modificada também pra sustentar o Deus bondoso e amoroso, onipotente e onisciente. Afinal parei de brigar com o bom senso e não acredito em nenhum Deus, nem os revelados e nem qualquer concepção deísta.





O Cristianismo – 02

22 07 2010

Quando era evangélico, pentecostal prioritariamente, minha maior frustração era nunca ter tido o tal “batismo no espírito santo”. Glossolalia é um termo bonito para aquela coisa esquisita, gritado nas mais espalhafatosas igrejas. Não faz o menor sentido, ninguém entende nada, mesmos os que estão falando em outra “dialeto” da linguagem dos anjos. Sim, porque enquanto um emite um “Labalá” o outro emite um “Suitecanta” e nenhum entende o outro. A maioria na minha igreja repetia esses dois sons estranhos, talvez pela mulher do pastor emitir esses mesmos no microfone. Existia até certa rixa com a igreja vizinha, que foi batizada de “igreja dos anjinhos da asa quebrada” pelo gesto característico durante o tal batismo.

 

O pastor que mencionado anteriormente, dizia que só somente espíritos puros de verdade tinham esse privilégio. E como isso nunca acontecia comigo me sentia extremamente culpado por tudo isso. Talvez porque na escola, não enchia o saco (ou evangelizava, para os crentes) de nenhum de meus colegas, talvez por causa do meu “romance” com a menina da mocidade, talvez pelos meus pensamentos pecaminosos e até a velha prática do esporte solitário (Oh Onan!). Seja o que fosse a culpa era minha, Deus estava certo em não derramar o azeite sobre o seu vazo, pensava eu (metáfora crentes são as piores). Mas eis que soube da história do pastor “safadão”, ora essa se ele traía a mulher e “recebia” o espírito santo, porque eu também não? Comecei a desconfiar dos métodos avaliativos de Deus. E comecei a prestar atenção nos dogmas e esquisitices religiosos. E eis a primeira dúvida, o primeiro passo pra fora da caverna.





O cristianismo – 01

14 07 2010

Em toda a minha infância nunca me questionei sobre a existência de Deus. Meus pais eram católicos não praticantes e creio ter ido a uma missa apenas algumas vezes com uma tia, até hoje católica fervorosa. Era um lugar chato e ter que acordar cedo deixava tudo pior.

 

O primeiro contato que tive com uma pessoa não cristã se deu na escola. Era um valentão repetente que era três anos mais velho. Era um ateu, achei aquilo estranho, mas não me interessei. Na verdade pensei, como os outros, que era “doido”.

 

Na realidade meu primeiro contato real com o cristianismo veio de meus vizinhos quando tinha onze anos. Era a nova onda do momento entre as crianças e não fazer parte dela te deixava isolado. Fui convidado por um amigo próximo. Aceitei o convite mais querendo me reunir com os outros amigo do que entrar na igreja. Minha mãe obviamente adorou a idéia. No mesmo dia aceitei Jesus “como meu salvador e inclui meu nome no livro da vida”, aqueles velhos jargões protestantes. Todos bateram palmas e fizeram uma oração, me senti fazendo parte de algo e menti quando disse ter sentido “algo de diferente”, não queria sair de lá.

 

Participei da tal “mocidade”, um grupo de canto para os ditos “jovens”. Precisávamos fazer alguns ensaios e essa proximidade entre pessoas de idades parecidas era legal. Foi lá que conheci uma menina e tive minha primeira experiência amorosa, na verdade fui empurrado para isso já que havia algumas pessoas mais velhas. Quando ela saiu da igreja, o pai mudou ou coisa assim, eu também sai. Poucos “jovens” tinham restado e não era tão legal quanto antes.

 

Um fato inusitado, que aconteceu enquanto estava fora da igreja, e que demonstra bem a hipocrisia cristã. O pastor mesmo casado e com dois filhos pequenos, teve um caso com uma de suas “ovelhas”. O mulher é claro perdoou, mas o marido da moça não. Ele era um conhecido criminoso da região e ameaçou o pastor de morte. O pastor teve que se refugiar em uma igreja longe dali e mesmo com toda essa situação levou grande parte da igreja, devido a seu carisma.