O Cristianismo – 05

10 08 2010

Um dos aspectos mais terríveis do cristianismo é sem dúvida o terror infantil. Como o Brasil é um país majoritariamente cristão, desde a mais tenra idade somos apresentados a sua filosofia e sua “verdade”. O grande problema é que nessa fase o nosso senso crítico é nulo e acreditamos em tudo o que nos é dito. Quando criança, nossa imaginação voa e imaginamos o pior. “Papai do Céu” está nos observando, pronto para nos lançar no fogo eterno ao menor deslize.

 

Certa vez minha mãe disse, que considerava a morte por queimaduras a pior existente, a mais dolorosa. Pois bem, imaginar ser queimado por toda a eternidade me enchia de medo. Lembro que certa vez um colega, que freqüentava a igreja, durante uma conversa proferiu a seguinte frase, que nunca mais esqueci e que provavelmente resume bem esse sentimento: “Se temos a possibilidade de irmos para o inferno, seria melhor nem ter nascido”. Há coisa mais terrível para uma criança pensar? Levar a vida imaginado estar participando de um teste de alguém cujo o poder não se pode medir, com medo que o menor deslize te leve direto para a danação eterna é um sensação que deveria ser evitada a todo custo.

 

Essa é uma poderosa ferramenta de coação. Lembro que certa vez tinha saído da igreja mais uma vez, sempre fui dessa idas e vindas. Foi quando um vizinho veio me convidar a voltar a igreja, mas estava reticente, com pouca ou nenhuma vontade de voltar. Ele então me convidou para assistir a um filme, na casa do irmão. O filme era sobre o apocalipse (o qual já tinha lido, mas não entendido nada). Com sujeitos com 666 tatuados, tentando matar cristãos protestantes “deixados para trás”. Pouco me lembro do filme além do fato que a personagem morre decapitada ao não negar a Cristo. Aquilo me deixou aterrorizado, pois já conhecia parte da história. Um medo paralisante me dominou. Ser deixado na terra junto com o diabo e ser vítima de sua “crueldade” (não conseguia ver a incongruência disso) era algo terrível. E não dormi aquela noite, temendo ouvir as trombetas que anunciariam o fim. A sensação de pânico foi terrível e não lembro de ter vivido outra como aquela.

 

Essa doutrinação desde a mais tenra idade é perigosíssima. Aproveitando a máxima que uma imagem vale mais do que mil palavras: